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Diversificação aumenta a renda de produtores C.Vale

Diversificação aumenta a renda de produtores C.Vale

O desafio lançado pela diretoria da C.Vale de abater, nos próximos 30 anos, 3,2 milhões de frangos e peixes por dia e gerar 23 mil postos de trabalho nas indústrias já está mexendo com o campo. A família Ferreira acreditou na diversificação, ainda em 1998, ao construir seu primeiro aviário de campo. A estratégia não trouxe apenas renda, mas uniu três famílias em torno de um negócio promissor. Hoje já são três aviários, 63 mil aves alojadas por lote, um quarto aviário para 35 mil frangos em execução e dez pessoas vivendo numa área de 22 hectares, sendo 14,5 destinados à produção de grãos. “Para termos a renda que esses 360 mil frangos alojados nos dão por ano, teríamos que ter 120 hectares de terra produzindo bem soja e milho. A diversificação representa hoje 80% da nossa renda”, calcula o patriarca Euzébio Emygdio Ferreira.
Ele, a esposa Guiomar Aleixo e os filhos Marcos e Marcelo, com suas famílias, moram na propriedade em São Francisco, interior de Assis Chateaubriand (PR). Seu Euzébio chega a se emocionar ao revelar que a cooperativa reuniu a família com qualidade de vida no campo. “Agradeço muito o meu pai mais novo, seu Alfredo Lang, por ter me orientado lá atrás. É a diversificação que nos mantêm unidos na propriedade.” É esse sentimento de sucessão que o casal alimenta diariamente nos filhos e netos. “Isso aqui é o nosso paraíso, nossa felicidade”, complementa dona Guiomar.
Como a área era muito pequena, Marcelo foi trabalhar fora. Segundo ele, o que ganhava como funcionário mal pagava as contas do mês. “Hoje ganho mais de dez vezes o que recebia como empregado, sem contar que aqui sou o dono e faço meus horários”, conta, feliz. Marcelo, que é casado com Juliana e pai de Sofia e do pequeno Samuel, acredita num futuro promissor. “Para comprar terra não tem financiamento, mas para construir aviário tem e se paga. Queremos continuar crescendo com a cooperativa”, justifica Marcelo. O irmão mais velho, Marcos, complementa dizendo que o sonho é colocar uns 10 aviários na propriedade. “O que é bom tem que dar continuidade. Tem que ter visão de futuro”, defende.
A sede da propriedade fica a menos de 500 metros do asfalto que liga Assis a Toledo, o que facilita para os filhos estudar. Everton tem 17 anos. Entrou na última turma de Jovem Aprendiz da cooperativa e esse ano começou a cursar Agronomia em Toledo. “É o frango que paga a faculdade dele”, diz Marcos, que é casado com Eliane e pai de Murilo. Como são devotos de Nossa Senhora, Eliane brinca dizendo que os dois irmãos trabalham e os sogros rezam. “Tudo que a gente faz com amor dificilmente dá errado. Fé, sorte e competência dão resultado”, complementa.
Família “Ferreira C.Vale”
De conversa mansa, seu Euzébio diz que é mineiro de nascença, paranaense de coração, gaúcho por tradição, são-paulino de coração e C.Vale por vocação. Ele revela que quando chegaram ao oeste do Paraná era tudo mato. Plantavam café até a geada de 1975 dizimar tudo. Com a mecanização, passaram a cultivar soja e milho. “Assis era uma cidade com mais de 120 mil habitantes. Lembro que nossa mudança chegou de Marumbi (PR) no dia da emancipação do município, dia 20 de agosto de 1966”, recorda, com saudosismo. A pequena propriedade, fruto de herança familiar e dos lotes de frango, produz renda e praticamente tudo que precisam para se manter com qualidade de vida no campo, da carne às verduras e frutas. “Não troco a vida que tenho aqui por nada na cidade”, resume Juliana que, até se casar, morava na cidade.

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