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“Não houve imprudência, mas sim coragem”, diz Beto à Folha de S. Paulo

À frente de uma grave crise financeira e alvo de greves e protestos, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), assumiu, em entrevista à Folha de S. Paulo, que gastou mais do que deveria, mas diz que foi por "coragem" de fazer as obras de que o Estado precisava. "O que interessa para a população são as obras. As dívidas, nós vamos administrando", declarou. O Paraná foi o Estado com o segundo maior deficit em 2014, atrás apenas do Rio. Após a reeleição, Richa atrasou o pagamento de férias, cortou funcionários da educação e aumentou impostos, além de propor cortar benefícios dos servidores. O governo deve R$ 1,5 bilhão a fornecedores. Acusado de má gestão, Richa nega descontrole e culpa o fraco desempenho econômico do país. O governador Beto Richa reuniu nesta quinta-feira (26) secretários estaduais, presidentes de autarquias, fundações e empresas estatais e pediu a integração e empenho da equipe na meta de cortar os gastos com custeio e melhorar a aplicação dos recursos públicos. O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Luiz Carlos Romanelli, também participou da reunião. “Estamos passando por um momento de dificuldade econômica em todo o Brasil. Precisamos estar preparados para superar esse período, com a garantia da qualidade nos serviços públicos. Vamos gastar menos e ser mais efetivos nas ações”, afirmou o governador. Durante a reunião, Richa assinou a resolução que congela o salário dele, da vice-governadora Cida Borghetti e de todos os secretários estaduais. Os salários teriam aumento com base em lei de 2002, que determina que o subsídio pago ao governador do Paraná é igual ao do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), reajustado em dezembro. Com isso, o salário do governador terá um corte de R$ 4,3 mil, o da vice-governadora será reduzido em R$ 4,1 mil e o dos secretários ficará R$ 3 mil menor. O secretário da Casa Civil, Eduardo Sciarra, ressaltou a importância da reunião da equipe para que todos possam participar com sugestões e orientações. “Vamos buscar em todas as áreas do governo medidas que possam reduzir despesas”, afirmou Sciarra. Leia a seguir, parte da entrevista: Folha ­ O Paraná enfrenta uma crise. Gastou mais que arrecadou e teve um deficit bilionário. Faltou planejamento? Beto Richa ­ Houve planejamento, sim. O Paraná hoje é muito melhor que antes. E as dívidas, estamos administrando. O que interessa para a população são as obras. Quando eu assumi, herdei R$ 4,5 bilhões de dívidas. Contratei 10 mil policiais, 23 mil professores, recuperei perdas salariais, fiz obras em todos os municípios. Sim, atrasamos o terço de férias, a rescisão dos professores. Mesmo assim, é preferível isso do que faltar professor em sala de aula ou não ter policial na rua. Tirei o problema dos paranaenses e trouxe para mim. Vou fazer essa obra, vou contratar policiais. Depois resolvemos a situação. Os problemas foram pontuais. Para a população, foi vantajoso. Folha ­ Foi imprudência ter gasto mais do que havia em caixa? Beto Richa - Não, não foi. Foi coragem. Pergunte lá em Londrina: a maior reivindicação era a duplicação da PR­445. Uma obra de R$ 100 milhões. Os técnicos me disseram: "Essa obra é cara, vai ser difícil..." Aí eu peitei. Vamos fazer. Uma parte já foi inaugurada. O segundo trecho foi paralisado por dificuldades financeiras. Mas a obra é uma realidade, e vai ser tocada. Se eu não tivesse tido coragem lá atrás, ela não teria acontecido. Se você ficar esperando ter dinheiro em caixa, não vai sair do lugar. A economia se deteriorou, tivemos problemas, mas a obra vai acontecer. É isso que importa para o cidadão. Folha - Preservar a saúde fiscal do Estado também importa... Beto Richa - Mas as obras aconteceram e as dívidas estão sendo pagas. Estamos preservando. Folha - É uma visão mais política do que técnica? Beto Rocha - É uma visão de alguém que tem sensibilidade. E eu estou pagando o preço.