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Unipar promove semana Integrada de Enfermagem

Unipar promove semana Integrada de Enfermagem

Práticas integrativas, app mobile health, saúde mental, violência contra a mulher, entre outros temas, fizeram parte da pauta  A Universidade Paranaense – Unipar realizou mais uma Semana Acadêmica Integrada, recebendo palestrantes de referência em vários estados do país. O encontro foi entre os cursos de Enfermagem das Unidades de Cascavel, Umuarama, Guaíra e de Francisco Beltrão.

A palestra de abertura foi com a professora da USP (Universidade de São Paulo), Maria Júlia Paes da Silva, que instigou reflexão sobre o desafio que é o cuidar: “Estudamos o cuidar para aprender o melhor posicionamento, melhor forma de alimentar, dormir e higienizar, pois o simples é desafiador quando não acontece naturalmente, respirar parece simples até não precisarmos de um respirador”.

Segundo argumentou, cuidar envolve colocar a atenção naquilo que não é dito, mas no que é percebido, os sinais, os sintomas. “Cuidar envolve uma intenção, dirigir meu olhar entendendo que a vida importa, e pensar o que posso fazer independente do estado que o paciente se encontrar”, afirmou.

E acrescentou: “Nós viemos ao mundo sem saber do nosso potencial; a nossa capacidade de falar, alguém nos ensina. O ser humano tem capacidade de desenvolver a sapiência quando cuida e ensina, quando aprende e repassa esse aprendizado. Viemos para aprender a lidar com as emoções, desenvolver vínculos de confiança, cuidar, paliar, regenerar danos, prestar atenção a tudo que envolve a qualidade da vida”.

A enfermeira explicou também que as pessoas têm reações diversas frente ao diagnóstico, e essa resposta mostra que o profissional precisa ser bom tecnicamente. “Quem está fragilizado não precisa ser consolado tantas vezes, precisa que você saiba ouvir esse pulmão para que saiba o melhor momento da aspiração, precisa prestar atenção nessa pele para que não acontece escarras, e no olhar dessa pessoa para identificar qualquer questão neurológica antes que haja agravamento”, pontuou.

 

Tecnologia na saúde e as práticas integrativas

Temas diferenciados compuseram a programação. ‘Aplicativo móvel

para a prática baseada em evidência na profilaxia pós-exposição ao HIV’ foi o

assunto abordado pela enfermeira Bárbara Peres Barbosa, egressa da Unipar e atualmente docente em São Paulo. Ela explica que a PEP (Profilaxia Pós Exposição) é o foco do estudo, mas também é o último método de prevenção do HIV.

A enfermeira conceitua que um dos principais setores atingidos pela revolução tecnológica é o da saúde, surgindo inclusive o conceito mobile health. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), o uso de app é uma estratégia complementar para o fortalecimento dos cuidados em saúde.

Sua palestra mostrou dados sobre o enfrentamento da epidemia de HIV/AIDS no Brasil e no mundo, apresentou as fases de planejamento do app – normativas e diretrizes, público-alvo, profissionais que podem prescrever a PEP, conteúdos disponibilizados e usabilidade de software.

Outra convidada foi a enfermeira Crislaine de Moura, que falou sobre as ‘Práticas integrativas e complementares na atenção básica’, área em que atua na atenção primária de Cascavel.

A profissional explicou o que são essas práticas, como são usadas na

recuperação ou prevenção da saúde, onde tem PICS e seus propósitos – cuidado diferenciado, integralidade, singularidade, resolutividade, autonomia, protagonismo do sujeito, corresponsabilidade, vínculo, custo reduzido.

Também discorreu sobre a PNPIC (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares), o que é, para que foi criada e a publicação pelo Ministério da Saúde das portarias que reconhecem 29 práticas integrativas complementares.

Violência contra a Mulher

Com a crescente no número de casos, esse foi um dos temas destaques do evento. Especialista na área, a enfermeira e docente da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), Jaqueline Arboit, compartilhou seu conhecimento sobre ‘Violência contra as mulheres: implicações para a saúde e a Enfermagem’.

A professora destacou quais as raízes da violência e fez uma contextualização histórica desta luta e os avanços – Movimento Feminista em 1980, Convenção de Belém do Pará (1984), criação de delegacias especializadas, Lei Maria da Penha, Política Nacional de Enfrentamento e a conexão com a saúde. Ainda frisou os tipos de violência contra a mulher, que podem ser física, sexual, patrimonial, psicológica e institucional. Também apresentou dados nacionais que revelam que em abril de 2020, o ‘ligue 180’ teve mais de 9 mil ligações, aumento de 35% em relação ao mesmo período do anterior.

Sua fala também convergiu para como o profissional de saúde pode identificar a violência e colaborar para amenizar a dor da vítima. O atendimento pré-hospitalar e o cuidado em saúde mental a semana também recebeu a coordenadora de Enfermagem do Samu Metropolitano Campos Gerais, enfermeira Andréia Soares Labes, e o coordenador de provas do Samu Metropolitano Campos Gerais, enfermeiro de voo Everson Xavier da Silva.

Colegas de atuação, eles falaram sobre o atendimento pré-hospitalar e a Enfermagem, normativas importantes, trâmites de atendimento em urgência e emergência, criação do Samu, inserção dos enfermeiros dentro de ambulâncias, formação do enfermeiro como emergencista, intervencionista, enfermeiro de voo, docente e gestor.

Outro tema que despertou a atenção dos estudantes foi ‘A interprofissionalidade e o cuidado em saúde mental: experiências de extensão e pesquisa’, proferido pela professora doutora Larissa Rézio, da UFMT (Universidade Federal do Mato Grosso), em Cuiabá.

A pesquisadora falou da atuação do enfermeiro no âmbito da assistência em saúde mental, definiu saúde mental, história da saúde mental enquanto área de atuação, por que atenção psicossocial, conceitos de acolhimento, clínica ampliada e apoio matricial, onde o enfermeiro pode atuar e o que é o projeto terapêutico singular.

Obstetrícia e o papel do enfermeiro Coordenadora da atenção de média e alta complexidade do centro materno-infantil de Guaíra, a enfermeira obstetra Franciele Giacomin foi uma das convidadas. Sua fala foi sobre ‘Consulta de Enfermagem:

Práticas do enfermeiro em centro materno-infantil’.

A profissional apresentou a nova forma de organização nas redes de atenção à saúde, falou da rede cegonha, rede mãe paranaense, da descentralização – princípio organizativo do SUS (Sistema Único de Saúde) e sobre consulta de enfermagem (coleta de dados, diagnóstico de enfermagem, planejamento de enfermagem, implementação).

No mesmo campo de fala palestrou a enfermeira obstetra Aline Decari Marchi, do Hospital Universitário da Grande Dourados. Sua fala explorou ‘Cuidados à parturiente: boas práticas no 2º, 3º e 4º períodos do parto’. Ela apresentou dados importantes: “No mundo 287 mil mulheres morrem por complicações no parto e no Brasil, em torno de 68 mulheres a cada 100 mil”.

Também apresentou o número de partos normais e cesariana, e pontuou: “A cesariana é ótima, salva vidas. Porém, a banalização da cesariana no Brasil tem causado um aumento no número de mortes por omissão”.

A enfermeira percorreu por vários tópicos, como PPO (Práticas Padrão Ouro), humanização do parto, violência obstétrica, períodos clínicos do parto, cuidados à mulher em trabalho de parto, clampeamento docordão umbilical, traumas perineais e monitoramento da mulher pós-parto.

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