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Vila A recebeu provas e fez história no automobilismo brasileiro

Vila A recebeu provas e fez história no automobilismo brasileiro

Projetada pela Usina de Itaipu para abrigar parte de seus trabalhadores, a Vila A, em Foz do Iguaçu (PR), participou de um momento histórico do automobilismo brasileiro. No final da década de 1980, enquanto a maior hidrelétrica do mundo era erguida, o local recebia três etapas da Fórmula Ford, a competição de base mais importante do esporte no País. O evento chegou à fronteira com patrocínio da Itaipu.

O bairro, que agora se prepara para o futuro com o projeto Vila A Inteligente, desenvolvido pela hidrelétrica e parceiros, recebeu as provas da Fórmula Ford em 1987, 1988 e 1989.

A competição em solo iguaçuense teve a presença de nomes como Gil de Ferran, Christian Fittipaldi (sobrinho de Emerson Fittipaldi) e Rubens Barrichello. O que pouca gente talvez saiba, na atualidade, é que poucos anos antes da Fórmula Ford, Foz também recepcionava aquele que é considerado o mais importante piloto do País e um dos maiores do mundo: Ayrton Senna. Em 1983, ele veio ao município convidado para um evento de kart.

Fórmula Ford
A competição foi realizada no Brasil entre 1971 e 1996. Durante três anos consecutivos, algumas etapas aconteceram em Foz do Iguaçu. O circuito montado na Vila A tinha 2.850 metros de extensão e passava por várias ruas.

Em alguns pontos, como na esquina da rua Silvio Américo Sasdelli e Avenida Paraná, ainda é possível notar as guias rebaixadas nas calçadas. Elas serviam como “zebras”, traçados na pista usados pelos pilotos para controlarem as curvas.

As terras iguaçuenses deram sorte para alguns jovens pilotos que, à época, eram promessas. Nas corridas, os lugares mais altos do pódio foram conquistados por Gil de Ferran (1987), Christian Fittipaldi (1988) e Djalma Fogaça (1989).

Antes de seguir pelo mundo e se tornar o piloto com o maior número de Grandes Prêmios disputados na Fórmula 1, Rubens Barrichello também correu pelas ruas da vila. Muito jovem, aos 17 anos, participava em 1989 de sua primeira competição oficial no esporte.

O atual diretor do kartódromo de Foz, Marco Gehring, também era um jovem piloto quando teve a chance de correr em casa, na prova de 1987. Com 22 anos, pôde sentir a vibração de 30 mil conterrâneos nas arquibancadas, afirmam os arquivos de jornais da época. “Tive orgulho por correr em casa, ainda mais por ter sido o único piloto iguaçuense na prova”, relembra Marco. Ele terminou em sétimo lugar.

Durante os 25 anos de existência, a Fórmula Ford funcionou como um celeiro de novos talentos para o esporte. A cada edição participavam mais de 40 pilotos que rodavam o Brasil para pontuar em dez etapas.

A marca da disputa em solo brasileiro era o baixo custo, algo que democratizava a participação e animava os mais promissores corredores a participar. Com o fim da categoria, o País não contou mais com uma competição de base semelhante a essa. Por conta disso, afirmam os especialistas no esporte, tornou-se mais difícil revelar novos pilotos brasileiros para as competições internacionais de ponta. Na Fórmula 1, por exemplo, já são duas temporadas sem um representante da bandeira verde e amarela.

Ayrton Senna na Terra das Cataratas
A Fórmula Ford em Foz sedimentou um caminho que foi aberto alguns anos antes por uma lenda, nessa que foi uma ótima década para o automobilismo da fronteira. Em junho de 1983, Ayrton Senna não apenas esteve na cidade como também fez o que sabia de melhor. A convite de pilotos iguaçuenses, compareceu ao evento “3 horas de Kart de Foz do Iguaçu”, que aconteceu no atual kartódromo do município.

O que era para ser apenas uma visita de cortesia de um piloto que aos 23 anos já era uma estrela, tornou-se uma exibição de talento. Após o término da prova oficial, Senna decidiu correr três voltas com o kart – como resultado, quebra de recorde e o melhor tempo da pista.

O convite foi feito pela equipe do ex-piloto Marcelo Bordin, que corria ao lado de Wadis Benvenutti, então prefeito da cidade. “Além de ser uma pessoa fantástica, Ayrton era um piloto ágil, dinâmico e único. Mesmo correndo em uma pista sem competitividade, ele estava dando o melhor de si”, recorda Bordin.

Naquele tempo, Senna estava quebrando todos os recordes na Fórmula 3, último degrau para chegar até a Fórmula 1, na qual entrou em 1984 e foi três vezes campeão mundial, com 41 vitórias. O piloto morreu vítima de um grave acidente durante o GP de Ímola, na Itália, em maio de 1994.

O futuro na Vila A
Mais de 30 anos depois de ter recebido eventos relevantes do automobilismo nacional, a Vila A seguiu relevante e se tornou um ponto de referência para o crescimento iguaçuense. No último mês de julho, foi lançado o Programa Vila A Inteligente, que deverá transformar a segurança pública e a mobilidade urbana da região, além de atrair empresas de tecnologia para a cidade.

O convênio nasceu de uma parceria entre Itaipu Binacional, o Parque Tecnológico Itaipu (PTI-BR), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu, dentro do Programa Acelera Foz. Inicialmente, serão instaladas dez tecnologias, com um investimento de mais de R$ 10 milhões (sendo R$ 6 milhões da ABDI e R$ 4 milhões da Itaipu).

O bairro receberá luminárias inteligentes com monitoramento de pessoas por reconhecimento facial e monitoramento de veículos por reconhecimento de placas. Também estão previstos semáforos, pontos de ônibus e estacionamentos inteligentes; monitoramento climático; oferta de rede Wi-Fi pública, entre outros.

“É a realização de um sonho transformar a Vila A e, por indução, toda Foz do Iguaçu em uma área de projetos inteligentes”, disse o diretor-geral brasileiro da Itaipu, general Joaquim Silva e Luna. “Podemos integrar uma série de iniciativas que estão em curso, em áreas como infraestrutura, segurança pública e sustentabilidade, visando, principalmente, a qualidade de vida e o bem-estar da nossa gente. É um bairro com passado, presente e futuro brilhantes”.

As inovações começam a ser instaladas nos próximos meses. Hoje, também estão em andamento outras melhorias para o bairro, como ciclovias revitalização do paisagismo, iluminação e calçamento. Ao todo, a margem brasileira da binacional está investindo R$ 16,55 milhões nos projetos (nas obras da Vila A e na Avenida Tancredo Neves).

“Nossa gente está aproveitando o investimento que Itaipu está fazendo na melhoria da qualidade de vida da população nesses locais. Para nós, é uma grande satisfação fazer parte desse momento”, afirma Silva e Luna.

Planejar o futuro, mas sem desrespeitar o passado, marca o processo de evolução pelo qual o bairro e o município vêm passando. Mesmo com alterações estruturais, novas tecnologias e investimentos, permanecem sempre os bons relatos daquilo que não deve ser esquecido: a nossa história.

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